A guerra tarifária entre os Estados Unidos e a China trará consequência para todos os lados, inclusive para os evangélicos. Isso porque, com as taxações comerciais, muitos produtos importados que são utilizados pelas igrejas, pastores e membros poderão sofrer reajustes como é o caso dos artigos de tecnologia, instrumentos musicais, som e imagem e até a Bíblia, que usa papel importado para ser produzida.
“A elevação de preços em cadeias globais — especialmente de produtos importados como equipamentos de som, vídeo, instrumentos musicais e até insumos gráficos para a confecção de Bíblias — poderá pressionar os orçamentos de igrejas que dependem desses recursos”, alerta o professor acadêmico, pastor Geraldo Gazolli, mestre em Ciências da Religião e doutorando pela PUCPR.
Ainda que a situação esteja muito volátil, o professor afirma que não se pode ignorar os reflexos indiretos que a instabilidade econômica pode gerar sobre as igrejas evangélicas, sobretudo no curto prazo.
Para Gazolli Jr., caso o custo de vida se eleve de forma significativa como consequência do aumento dos preços, haverá impacto direto sobre o poder aquisitivo das famílias, o que pode afetar o volume de dízimos e ofertas. Isso, por sua vez, pode comprometer projetos sociais, missionários e educacionais mantidos por essas comunidades.
“Por outro lado, é necessário destacar que as igrejas têm demonstrado extraordinária resiliência diante de cenários adversos, sobretudo quando ancoradas em um senso de missão claro e em valores de solidariedade e fé. Muitas congregações já adotam práticas de economia solidária, reaproveitamento de recursos e incentivo à produção local de materiais religiosos, o que pode se tornar uma estratégia ainda mais valiosa neste contexto”, observa.
Cristão deve confiar em Deus e não se desesperar
Contudo, o professor lembra que é preciso confiar em Deus e não se deixar levar pelo medo ou especulações. “O cenário atual exige discernimento, fé e paciência. Como está escrito em Eclesiastes 7:8: ‘Melhor é o fim das coisas do que o princípio delas; melhor é o paciente de espírito do que o altivo de espírito.’ Não devemos, portanto, nos precipitar em julgamentos catastróficos, mas agir com prudência, discernindo os tempos e confiando na providência de Deus”, ressalta.
Ele lembra ainda que, em contextos de instabilidade econômica e política, a Igreja é chamada a ser um farol de estabilidade moral, espiritual e social, oferecendo acolhimento, alimento, direção e esperança e cita Isaías 33:6: “Ele será o firme fundamento dos teus tempos, uma riqueza de salvação, sabedoria e conhecimento; o temor do Senhor será o teu tesouro”.
Crise é oportunidade para evangelizar
Para o pastor e professor Thiago Faria, líder global de cidades estratégicas da Missões Mundiais dos Batistas Brasileiros a igreja tem que olhar para essas mudanças sociais, governamentais, estruturais, do seu contexto de forma a entender que Deus é soberano e a igreja vai prosperar independentemente desse contexto.
“Quando vemos, por exemplo, o contexto de vários países do mundo onde existe de fato perseguição ao evangelho, onde é muito difícil o processo de avanço do evangelho, a igreja prospera mesmo em meio a essas limitações”, afirma.
Para Faria, caso haja de fato algum tipo de recessão ou limitação financeira, a igreja vai ter que olhar para isso como espaço para ela se adaptar a esses novos contextos, não se sentir acomodada com o status atual e perceber como ela pode responder essa realidade levando justamente luz e sendo intencional como resposta para esse novo contexto. “A igreja sempre olha para o que está acontecendo como oportunidade para anunciar Jesus”, conclui Faria.
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