Após a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidir, nesta quarta-feira (26), por unanimidade, tornar o ex-presidente Jair Bolsonaro réu por tentativa de golpe de Estado em 2022, alguns pastores comentaram a decisão da Corte ao acatar a denúncia feita pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
Na opinião do articulista de Comunhão, pastor Jorge Linhares, presidente da Igreja Batista Getsêmani e do Conselho de Pastores do Estado de Minas Gerais (CPEMG), trata-se de uma decisão totalmente política e que deveria ser julgada por políticos, como havia questionado o também ministro do STF Luiz Fux.
“Como consequência dessa posição do Supremo, há um temor de se falar o que se pensa, e toda a população brasileira está parada, com vontade de ir embora para a Europa”, acredita. Para Linhares, essa decisão impactará diretamente as próximas eleições.
“Lógico que influenciará, e o ‘tiro sairá pela culatra’. O povo gosta de pessoas vitimizadas, e o ex-presidente, além de vítima, tem grande — senão o maior — eleitorado do povo brasileiro. Os seus algozes estão pensando somente na vingança. Todos sabemos que final teremos”, destaca.
O pastor Evaldo Carlos, presidente da Primeira Igreja Batista da Praia da Costa, também acredita que esse julgamento tem viés político. “Está nítido para todas as pessoas que este julgamento é totalmente político. Ao meu ver, não há nenhuma sustentação jurídica. Os equívocos do processo são absurdos. A mesma pessoa que investiga é a mesma que julga aquilo em que ela mesma é mencionada. Uma total aberração jurídica”, critica.
Na opinião do pastor Evaldo, uma eventual prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro repercutiria não apenas nas próximas eleições, mas em várias áreas e setores do país. “Repercutiria na economia, na Câmara e no Senado e, principalmente, nas eleições do próximo ano. O STF vai desestruturar o país se tomar essa decisão absurda e colherá as consequências por meio da renovação do Senado Federal”, prevê.
Para o teólogo, psicanalista e empresário Fábio Hertel, o resultado não foi nenhuma surpresa, já que, na sua opinião, esse julgamento é um “jogo com cartas marcadas”, onde, antes mesmo de acontecer, o mercado, os especialistas, os comentaristas e os próprios jornalistas já comentavam essa decisão. Ele ainda critica o silêncio de alguns setores da sociedade.
“É inacreditável que outros órgãos da federação, entidades, associações e poderes não emitam nenhuma opinião quanto, por exemplo, à suspeição de juízes que vão julgar o réu, nitidamente comprometidos com um histórico passado. Zanin, o próprio Alexandre de Moraes e Flávio Dino eram altamente comprometidos, no passado, com a figura do Bolsonaro, e hoje não se declaram isentos nem suspeitos. E não há ninguém que questione esse tipo de comportamento”, argumenta.
Hertel também acredita que os desdobramentos do julgamento serão sentidos nas próximas eleições. “Caso ele (Bolsonaro) venha a ser preso, certamente haverá uma comoção dos bolsonaristas mais arraigados, que o têm como mito. Acho que só vai inflamar mais o cenário político brasileiro. O mito vai se fortalecer, virará um herói por estar preso. E, confirmando-se a sua inelegibilidade, o nome que Bolsonaro indicar certamente terá um peso, porque ele tem uma força política muito grande”, acredita.
Na opinião do líder da Igreja Congregação Presbiteriana Água Viva, pastor José Ernesto Conti, não há dúvidas de que a decisão do STF em tornar Bolsonaro réu é “100% política”. “Todos sabem que não há no Código Penal a tipificação do crime de ‘planejamento’. O crime só existe quando uma autoridade policial age para impedir a consumação ou, após a consumação, o criminoso então é preso”, ressalta.
Para ele, as chamadas “provas” contra o ex-presidente são infundadas. “A denúncia de Bolsonaro está baseada em reuniões realizadas no Palácio da Alvorada, local com mais de 100 salas distribuídas em três andares, sem qualquer comprovação de que ele participou de todas as reuniões preparatórias. Logo, não há provas reais de que Bolsonaro participou ou convocou as reuniões. O fato de supormos que houve essas tais reuniões e que havia um plano chamado ‘Punhal Verde-Amarelo’ — na atual legislação penal brasileira, não há penalidades previstas”, argumenta Conti.
Em relação às próximas eleições, o pastor se mostra pessimista e acredita que tudo pode acontecer. “Creio que o STF e o PT estão ‘pagando para ver’, talvez acreditando que o brasileiro vai ficar calmo se o Flamengo ou o Corinthians for campeão mundial de clubes nos EUA. Uma coisa é certa: a direita brasileira conservadora é covarde, mas já estamos no limite. A corda está chegando próximo da ruptura e, depois que romper, quem vai garantir como agiremos?”, questiona.
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