Por Patricia Scott
Fatores como escândalos de abuso sexual, adultério e desvio de recursos, além de mudanças nas afiliações religiosas, parecem contribuir para impulsionar a desconfiança dos norte-americanos nos pastores. Nos EUA, apenas 30% consideram esses líderes como altamente honesto e ético, refletindo uma tendência de queda contínua, já que entre 2000 e 2009 representava 56%. Pelo menos, é o que revela a mais recente pesquisa Gallup, que mostra ainda uma caída significativa na percepção pública sobre a honestidade e ética desses líderes religiosos.
Dentre 23 profissões analisadas, o pastoreio ocupa a 10ª posição, o que significa estar abaixo de grupos como enfermeiros, mecânicos, juízes e professores do Ensino Fundamental. O levantamento indica também que 20% dos americanos avaliam os pastores como pouco ou nada honesto. Por outro lado, 42% consideram que possuem padrões éticos medianos.
E no Brasil, como seria essa percepção caso fosse realizado um levantamento? Para o pastor Wagner Scatamburgo, da Assembleia de Deus Ministério Vale das Virtudes, em São Paulo, apesar dos escândalos, as brasileiros ainda confiam nos pastores, o que evidencia que há líderes fiéis ao seu chamado que demonstram a partir de atitudes fidelidade à Palavra, a Deus e ao serviço prestado ao socorro das pessoas que necessitam.
“Para manter a credibilidade, o pastor deve preservar-se como as Escrituras orienta, mantendo-se diligente ao ministério como registrado em 1 Timóteo 4. 6-16”, pontua. Ele alerta ser necessário ter atenção redobrada às qualificações de quem será colocado como ao líder de uma igreja (1Timoteo 3.1-13), sua credibilidade deve ser exercida, vista e praticada primeiro na família (1 Timoteo 3,5). “Se não souberem governar a própria casa, teremos lideres fracassados com resultados desastrosos.”
De acordo com Scatamburgo, há diversos fatores para a queda de confiança nos pastores, principalmente o que mais contribuí são os escândalos. Ele lembra que Jesus disse que isso aconteceria (Lucas 17.1). “Com o advento das redes sociais, é possível observar a má atitude de pastores que deveriam dar exemplos, briga de poder, desvio de dinheiro, falta de caráter e de compromisso com o povo, enriquecimento ilícito, nepotismo. Tudo isso corroborando com a falta de uma teologia correta e coerente com as Escrituras.”
Na visão do teólogo Magno Paganelli, que é mestre em Ciências da Religião, a percepção sobre a credibilidade do clero varia conforme a classe social e o nível de escolaridade das pessoas. Aqueles com maior poder aquisitivo e formação acadêmica tendem a ser mais críticos, enquanto os de renda mais baixa e menos instrução tendem a ser mais receptivos. “A parte da pirâmide formada por indivíduos com maior poder aquisitivo tende a ter um pensamento mais crítico, enquanto aqueles com menos recursos, mesmo tendo algum senso de avaliação, focam mais na satisfação de suas necessidades básicas e acreditam mais facilmente em promessas”, explica ele, que é autor do livro “Caminhando com Deus Pai”, lançado pela Citadel.
O teólogo também acredita que a queda na credibilidade dos pastores, conforme a pesquisa, a partir dos anos 2000 está ligada à Teologia da Prosperidade, que faz promessas impossíveis de serem cumpridas nem pelo pastor nem pela igreja. Segundo Paganelli, esse movimento neopentecostal não tem base bíblica, já que Deus não está comprometido com essas ideias, e muitas vezes acaba iludindo as pessoas, fazendo-as acreditar em promessas que não condizem com a realidade da Igreja.
“Por exemplo, algumas promessas feitas a Israel no Antigo Testamento, que não têm relação com a Igreja, são descontextualizadas e usadas nas pregações como moeda de troca para atrair a fidelidade, a atenção e ofertas generosas dos fiéis.”
Para finalizar, Magno pondera que o pastor mantém a credibilidade quando procura ser bíblico e se preocupa com a vida das suas ovelhas, na saúde emocional e espiritual, o ensino, o cuidado e a ação social, além de ser transparente nas prestações de contas. “Ao levantar recursos para determinado projeto, por exemplo, é preciso informar aos membros, depois, o valor levantado, como foi empenhado na proposta e o seu desenvolvimento, o que, infelizmente, não ocorre em grande parte das igrejas.”
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